André Gonçalves

Era Vidro e Se Quebrou...



Sexta-feira, Fevereiro 27, 2004

Comments: PLANTÃO DO JORNAL NACIONAL INFORMA:

Primeirísima mão: agora tem coluna minha no Speculum, que, como lá mesmo diz, "é uma revista eletrônica dedicada aos novos aspectos da produção cultural, um espaço aberto para o debate, discussão e divulgação das formas de arte, desde seu ponto inicial à conclusão".
Tô alegre igual pinto no lixo!
Meu link "próprio" é esse.
Vai ser semanal, provavelmente atualizada às sextas-feiras.
Me visita lá, vai. O site é muito bacana!

postado por: ANDRÉ GONÇALVES 7:44 PM



Comments: UM POST ENORME COM UM TÍTULO GIGANTESCO CONTANDO MINHA EXPERIÊNCIA CARNAVALESCA DE JURADO SÓ PARA MANTER O CLIMA DE CARNAVAL LEMBRANDO OS TÍTULOS QUILOMÉTRICOS DOS SAMBAS-ENREDOS (OU SAMBA-ENREDOS?) QUE O POVO CRIA, COPIA E OBRIGA A GENTE A OUVIR ACREDITANDO QUE SÃO BONS

Confesso que foi melhor do que imaginei.
Eu, que há anos afirmava categoricamente não gostar mais de carnaval, fui pra avenida ser jurado de desfile de escola de samba em Teresina. Meu quesito: Harmonia, Evolução e Conjunto.
Minha experiência no assunto desfile, se não é lá grandes coisas, também não deve ser desprezada: assisti 3 vezes os desfiles do Rio de Janeiro, in loco. E algumas outras pela tv. Na primeira, em 83, ainda não existia o Sambódromo (é, sou velho, coroa, caidaço). Deu Beija-Flor, igual a esse ano. Ano seguinte, desfile já no Sambódromo, fresquinho, fresquinho, e eu de camarote. Literalmente. Meu tio cuidava do buffet de alguns camarotes, e a gente (eu e mais algumas pessoas da família) ficamos em um. Bacaninha, comidinha legal, bebida (na época eu não bebia nada, foi antes da minha fase etílico-compulsiva, que já acabou faz tempo, ainda bem). Deu mangueira, com sua bateria sem surdo de repique.
Em 85 eu já não lembro quem ganhou, mas eu sei que fui. Não vi todo o desfile, mas estava lá. Nessa época, já me preocupava mais com a, digamos, abundância feminina na avenida do que com as fantasias. Para mim, fantasia já era outra coisa. Mas estive lá, e pronto.
Bom voltando ao milênio atual: lá estava eu de jurado do quesito Harmonia, Evolução e Conjunto. Boca-livre, minha comadre Indira coincidentemente instalada no cubículo ao lado julgando Enredo (ainda bem, era um cubículo bem ¿cubicular¿, quase claustrofóbico, mas a gente ficava conversando debruçado no ferro que fazia as vezes de marquise).
Vou resumir, fique calmo, já tá acabando... Pois bem, lá estava eu. Sete escolas de samba: duas do Segundo Grupo (Nossa Cara e Mocidade Alegre do Parque Piauí) e cinco no Primeiro Grupo: Ziriguidum, Skindô, Sambão, Brasa Samba e Unidos da Saudade. Favoritas, sempre: Ziriguidum e Skindô. Correndo por fora: Brasa e Sambão. Íbis do carnaval: Unidos da Saudade.
Para minha surpresa, melhores do que eu pensava, todas. Tudo bem arrumadinho. A Nossa Cara era estreante no Carnaval e, sinceramente, não faria feio pelo menos no segundo grupo carioca. Tinha um pouco de autoridades demais desfilando, mas faz parte. No meu quesito, dei nota 8. No final, ela ganhou o Segundo Grupo (grupo de 2, afe!) e subiu pro primeiro. A Mocidade Alegre estava mais para Mocidade Triste, e eu dei 7, só pra consolar. Ficou no segundo grupo mesmo, só porque não tem terceiro.
Primeiro Grupo, a briga é feia entre as duas grandes. Mas o desfile foi bem certinho de todas, apesar da pobreza da Unidos da Saudade que acabou ficando na saudade, mesmo, e sendo rebaixada. Eu dei 7, se não me engano. A Brasa foi bacana, dei 7 e meio. A Sambão eu dei 8. A briga estava pelas duas favoritas.
Skindô: desfile surpreendentemente bonito, mesmo para um apedeuta, como eu. Uma bela comissão de frente, onde dançarinas saiam de uma caixa, de onde saiam ainda um cinegrafista, câmeras e iluminadores, simulando uma gravação de musical. O tema da escola era Cinema. Foi tudo direitinho, até que passou o Titanic. Que afundou no meio da avenida, afundando a Harmonia, a Evolução e o Conjunto também. Um buraco de quase 100 metros na avenida. Nota 8,5. Eu queria dar mais, mas não deu. Um outro jurado deu 10, achei um absurdo.
Ziriguidum: parecia um pouco a seleção do Parreira. Belos uniformes, digo, fantasias, mas um enredo confuso (falava do Número 7) e empolgação do Romário aos 45 do segundo tempo. Desfile correto, muito bonito, mas com gosto de empate. Dei 8,5, também. Eu daria um 9, se fosse um pouco mais empolgante, como foi a anterior. Mas 8 e meio ficou ótimo. O outro jurado deu 10, de novo. Ou ele viu outro desfile, ou deu 10 só pra não se comprometer.
Resultado final: Ziriguidum em primeiro, Skindô em segundo. Meio ponto de diferença a favor da campeã. Por sorte, meu quesito, apesar de minhas notas terem sido um caso de rara unanimidade já que foram vaiadas por todas as escolas, no final não decidiram o carnaval. Sorte minha. A essa hora eu poderia estar jurado era de morte. A briga, como sempre, é feia.
Final das contas: sabia que foi divertido?

postado por: ANDRÉ GONÇALVES 7:24 PM



Comments: CARNAVAL

Ok, ok...
A pedidos, amanhã eu conto como foi minha experiência como jurado de carnaval.
Eu prometo.
Afinal, vale o escrito, né?

postado por: ANDRÉ GONÇALVES 5:04 PM



Comments: MEU NOME É ZÉ PEQUENO

Tem Farinhada especial de Oscar.
Vê lá.

postado por: ANDRÉ GONÇALVES 5:01 PM



Quinta-feira, Fevereiro 26, 2004

Comments: OUTONO

Só percebeu que o verão tinha acabado quando viu as folhas do calendário da cozinha caindo sozinhas, amarelas, espalhando o ontem pelo chão.

postado por: ANDRÉ GONÇALVES 9:26 AM



Comments: AI, QUE RESSACA...

Por favor, não me fale em samba-enredo, evolução, harmonia, epabalaraôôô nem pierrot nem colombina até fevereiro de 2005, por favor...

postado por: ANDRÉ GONÇALVES 9:14 AM



Sexta-feira, Fevereiro 20, 2004

Comments: FARINHADA

Tem Farinhada nova no ar.
.

postado por: ANDRÉ GONÇALVES 11:28 AM



Quinta-feira, Fevereiro 19, 2004

Comments: ELA E O MAR DENTRO DELA

Da porta entreaberta ela vê as costas flácidas dele, as carnes do braço pendendo para fora da cama. Devia estar louca sentindo tesão por um homem como ele. Não, não era tesão, era uma loucura, dessas, de paixão, que a gente tem de vez em quando. Coisa de adolescente, de quem está só começando e sente tesão até pelo poste da esquina. "Não sou mais adolescente, tenho peito, tenho bunda, tenho sangue escorrendo de mim todo mês, já sou mulher, essa ardência na boceta mostra que sou mulher, tá ardida, tá vermelha, tá cheia de gozo, o grito dele está preso entre minhas pernas, a marca dos dentes tá na minha coxa, ele gozou dentro, eu senti, eu senti um mar balançando dentro de mim, eu senti as ondas, eu senti o gosto de sal."
Da porta entreaberta ela vê a cama remexida, os lençóis pingados do vermelho que escorreu de dentro dela. Vê de novo as costas flácidas, estava obcecada pela flacidez das costas. Vê um pedaço da bunda, uma bunda velha, enrugada, uma bunda murcha, por baixo da ponta do lençol. Vê a perna dobrada, pernas fortes ele tinha, mesmo manchadas, mesmo sem nenhum pêlo. Adorava pêlos, pêlos no peito, pêlos nas costas, pêlos nas pernas. Mas ele não tinha pêlos, ora diabos! "Eu sei que ele queria mais, eu sei, mas ele não agüentou. Acabei com ele, sou mulher, acabo com um homem, qualquer um, preto, branco, chinês, índio, novo, velho como ele. Acabo com qualquer um. Sou mulher, o que eu tenho entre as coxas derruba qualquer um, sem apelação, sem misericórdia, vão matar por mim, vão brigar por mim, vão levar chifres de mim e vão gostar, vão lamber o chão por mim, vão morrer por mim. Ah, se vão, homens são como cachorros, sentem o cheiro do rabo da fêmea a quilômetros, bando de animais."
Da porta, entreaberta, ela vê o corpo inerte, derrotado, e a meia rendada que ele usou, ele tinha o fetiche de transar usando meia de mulher, ela aceitou. A meia preta de renda agora só um trapo, testemunha rota e negra do acontecido. Antes, instrumento de desejo. Agora, só uma velha meia rasgada na beirada da cama. "Esse velho tava pedindo, ele queria, não queria? Eu dei o que ele quis, agora eu sou livre, nunca mais ele vai ficar babando quando eu passar na porta da casa dele, nunca mais ele vai me oferecer bombom, velho cretino, nunca mais vai me chamar pra sentar no colo dele, velho fedido, mas velho bom, sabia fazer direitinho, é isso que é gozar? Ai meu Deus, como é bom gozar, eu quero mais! Mas esse velho não faz mais nada. Ele pediu, eu só dei o que ele queria, ele queria me sugar, ele queria sugar minha juventude, que não me servia para nada, agora serve, é para isso que serve a juventude: pra trepar, pra gozar, pra gritar, pra gastar, como se gasta uma poupança, porque senão a gente acaba como ele, esse velho flácido, resto de gente. Ele pediu, eu quis, eu dei o que ele quis."
Da porta, entreaberta, vê a nuca e a careca reluzente dele. As costas sujas de batom, e meladas do caldo que escorreu dela quando ela gozou sentada nas costas dele, meladas do sangue que ele bebia como louco, como um vampiro que suga gente, que suga virgens, só que ele não sugou pelo pescoço. Há anos não chupava uma mulher, desde que a vizinha morreu, a mulher não gostava, ele não ia perder a chance, que podia ser a última, por causa de um sanguezinho qualquer. "Pau de velho é diferente, eu vi nas revistas que o pau fica pra cima, o dele ficou mole, não, meio mole, mas é grande, é bom, foi bom. Não machucou, machucou foi a barba dele, tô ardida. Mas tá bom, é um ardido gostoso, um ardido de mulher que gozou. Agora eu sou mulher, só mulher arde assim, mulher sofre até pra gozar, homem não, botou lá, jorrou, tira e pronto, homem não sente dor, porque não entra nada nele, só os bichas, mas bicha não é homem, é viado. Será que viado fica ardido, ou arde diferente da gente? Com o próximo eu vou experimentar, vou dar ele, pra ver se arde tão gostoso."
Da porta, entreaberta, sente o cheiro de sexo, o cheiro de sangue, o cheiro de homem. Sente algo ficando úmido. É ela, de novo. É ela, lá embaixo. "Ai, meu Deus, tô ardida mas quero mais, eu quero mais. Esse velho frouxo encheu o saco a vida toda e não agüentou, eu acabei com ele. Mas eu quero, antes eu não podia, que ele não deixava, nem minha mãe. Mas agora eu posso, porque já fiz. Agora eu posso tudo. Agora eu sou mulher, agora eu sou uma mulher fodida. Ai, que gostoso isso aqui molhadinho, que gostoso meu dedo, é melhor que travesseiro, é melhor que chuveirinho, é melhor que bidê. Não é igual ter um homem, mas é bom. Vou procurar o Paulão, deve ser gostoso trepar com ele, mas a mulher dele é brava, foda-se, aquela gorda! Ele sempre me provocou, já passou a mão na minha perna, já me chamou de gatinha, vou foder com ele, vou deixar ele igualzinho esse velho aí. E o Cadinho, e o Beto, e o Nêgo, e o Zeca, e o Tuca. Vou acabar com todos, eles vão ver só o que é uma mulher de verdade, não essas galinhazinhas de merda que ficam chupando eles nos carros, essas putinhas filhinhas da mamãe vestidas de roupa de colégio de freira."
Da porta, entreaberta, ela vê o corpo flácido estremecer, e tentar se virar, mas só conseguir virar o pescoço, e ela vê o rosto dele, ele olha para ela com olhos de quem já vai. E quando ela vê a morte nos olhos dele, ela aperta ainda mais o sexo, e ainda vê o filete de sangue no canto da boca dele, e vê os olhos dele revirarem. E, da porta, entreaberta, ela vê o velho estremecer de novo e ficar ali, imóvel, duro, frio, e ela sente o gozo chegando, e crescendo, e jorrando, e escorrendo, e tomando conta da sua alma.
O mar está dentro dela outra vez.

postado por: ANDRÉ GONÇALVES 2:26 PM



Quarta-feira, Fevereiro 18, 2004

Comments: BLOG IMPERDÍVEL

Um diamante chamado Chris O.
Se preferir pelo nome do blog, taí: Ela Mesma no Blogue Branco.

postado por: ANDRÉ GONÇALVES 5:10 PM



Comments: ROUBADA

Eu, jurado de desfile de escola de samba no carnaval.
Pode?
Pode.
Eu adoro me meter em roubada, mesmo...
Mas pode deixar que vou contar tudinho aqui.

postado por: ANDRÉ GONÇALVES 4:56 PM



Terça-feira, Fevereiro 17, 2004

Comments: O FREEZER

Cada isopor naquele freezer tinha uma etiqueta: paixão, ódio, amor, paz, festa, ternura, saudade...
Dentro de cada um, um coração.
Trocado por ela ao sabor da conveniência.
Difícil mesmo era voltar para casa com o coração-paixão quando queria ter levado o coração-desprezo.
Mas estava providenciando uma bolsa térmica.

postado por: ANDRÉ GONÇALVES 11:59 AM



Comments: MINI-CONTO

Ele.
Ela.
Já.
Mas nem estão sabendo.

postado por: ANDRÉ GONÇALVES 11:14 AM



Comments: PENSANDO ALTO

Impressionante como são quase infinitas as possibilidades de significado de um "puta que pariu".

postado por: ANDRÉ GONÇALVES 11:01 AM



Sábado, Fevereiro 14, 2004

Comments: FREDDY KRUEGER

Tentaram de todas as maneiras. Estrangulamento. Sufocamento com travesseiro. Corda de nylon. Experimentaram com faca, com tesoura, com punhal. Tiros, cento e dezenove. Morderam. Enfiaram o dedo e rasgaram, e puxaram, e retorceram. Veneno! De rato! Machado, enxada, porrete. Jogaram do trigésimo sétimo andar. Atropelaram. Amarraram na traseira de um ônibus verde, de turismo. Derrubaram da moto, sem capacete. Pisotearam. Fizeram vodu. Espada. Escopeta. Chute. Gasolina e fósforo. Serra-elétrica. Gilete. Cadeira elétrica. Precipício. Lança-chamas. Empurraram da escada. Afogamento. Guilhotina. Seringa com HIV positivo. Malária. Jogaram de um avião. Colocaram num caixão, acorrentaram e enterraram. Overdose de cocaína. Cortaram em mil pedaços.
E, agora, estavam os dois ali, olhando para aquele ser amorfo, amarrotado, rasgado, sangrando, pulsando e respirando em cima da cama, com uns olhos deste tamanho e um pedaço de sorriso de escárnio agarrado nos dentes da frente.
- Bem que disseram que essa porra desse tal de amor não morre.

postado por: ANDRÉ GONÇALVES 9:46 AM



Quinta-feira, Fevereiro 12, 2004

Comments: FRASCO BRANCO, TAMPA VERMELHA

Terceiro frasco na segunda prateleira de cima para baixo. Branco, tampa vermelha. Sem rótulo. Achou? Não é comprimido, é suspensão. Agite bem. É, ele é vermelho. Docinho. Gosto de framboesa. Mas amarga no final. Três colheres. Não, de sopa não. De chá. Não pode ser demais, pode dar problema se for demais. Depois deita. Não, não pode tomar água. Uma taça de vinho? Pode. Tinto, que combina melhor com carne. Deita e pensa em mim. Dá meia hora. Você vai dormir, e vai sonhar, e vai sonhar colorido, e vai dançar no sonho, e vai rolar na cama, e vai acordar sorrindo, e vai dormir de novo, e eu não vou estar do seu lado, mas vou estar onde interessa, que é dentro do seu coração e abraçando sua alma. Mas só uma vez por dia! É, senão vicia. E não tome aos domingos. Dá rebordosa. Fica em paz. Eu chego de repente. Não esquece da comida do Johnny. E guarda o frasco no lugar! Se precisar, pede pro seu Arnaldo da farmácia, que ele te arruma mais. Beijo.

postado por: ANDRÉ GONÇALVES 4:57 PM



Terça-feira, Fevereiro 10, 2004

Comments: TRIÂNGULO DAS BERMUDAS

... e, nele, apenas uma oferenda, em língua outra, quase que implorando pela dele: "for you".

postado por: ANDRÉ GONÇALVES 6:26 PM



Comments: QUENTE ERA A MANHÃ, EM JULHO

Quente era a manhã, em julho, quando meu pai se deitou, as pálpebras baixando. E puro, e distante, e feliz, encarou o céu e o tempo".

(do piauiense O. G. Rego de Carvalho, em "Ulisses - Entre o Amor e a Morte")

postado por: ANDRÉ GONÇALVES 6:22 PM



Segunda-feira, Fevereiro 09, 2004

Comments: O BAILE

Perdeu a paciência com a maldita solidão.
Pegou a danada, trancou no armário, ligou o som e começou a dançar.
E dançou, e rodopiou, e girou, e cantou, e gritou, e sorriu, e bebeu, e gargalhou, e vomitou, e desmaiou, e acordou, e a cabeça doeu, e o dia nasceu, e o vazio voltou. Pior. Porque doía nos ossos. E cegava os ouvidos. E emudecia o peito. E amarrotava os olhos. E ardia na alma.
Destrancou a solidão, colocou a bendita sentada na mesa da cozinha, meteu um engov pra dentro e entendeu que, para certas pessoas, antes mal acompanhada do que só.

postado por: ANDRÉ GONÇALVES 10:49 PM



Comments: ...

Diziam que era louco porque vivia correndo por aí, sacudindo, mundo afora, uma redinha de caçar borboletas, e dizendo que estava caçando palavras soltas no ar.
Não, não era louco.
Era poeta.

postado por: ANDRÉ GONÇALVES 10:15 PM



Comments: É ISSO AÍ

Mais essa agora.
Virei o lado negro da Força.
Ó, mundo cruel...
(risos mil)

postado por: ANDRÉ GONÇALVES 6:50 PM



Sexta-feira, Fevereiro 06, 2004

Comments: FARINHADA

Em compensação, tem dois textos no Farinhada.
Fazer o quê, eu gostcho...

postado por: ANDRÉ GONÇALVES 3:51 PM



Comments: EU NO FULANA E BELTRANA

Hoje não tem post aqui, porque hoje é dia de eu ser Sicrano.
Se quiser me ver, passa .
Não tem desculpa, porque coloquei o link três vezes só nesse post.
É, tô metido mesmo!

postado por: ANDRÉ GONÇALVES 9:57 AM



Quinta-feira, Fevereiro 05, 2004

Comments: dia 5

hoje é dia de ir ao bob´s.
estou indo.
mas volto já.

postado por: ANDRÉ GONÇALVES 1:18 PM



Comments: ...

ando em litígio com as maiúsculas.
implico hoje, confesso, com essas letrinhas, tão cheias de si, e com sua mania de grandeza.
perceba se não estão, sempre, querendo ser o começo de tudo, estar à frente de tudo. vai ver as maiúsculas, esses tipinhos metidos a gente grande, sentem mesmo é inveja das pequenas, estas sim, tão delicadas. e que nem precisam estar à frente de qualquer coisa para serem vistas, lidas, percebidas. veja como elas, as pequenas, mesmo reunidas aos montes em grandes algazarras, estão sempre a sussurrar, a sibilar entre linhas.
mas, pensando bem, as maiúsculas são mesmo como gente grande. já as minúsculas são crianças. maiúsculas são adultas, pesadas, definitivas, concretas. minúsculas são vontade de estar junto. maiúsculas são solitárias. e quando raramente se juntam, começam logo a gritar. minúsculas sorriem, e são leves, e são cúmplices, amigas. até mesmo por necessidade. pois dizem alguns, num preconceito absurdo, que elas são menores, e não devem ficar soltas por aí, brincando em ameaçadoras florestas de páginas em branco.
mentira. elas devem, mesmo, é romper de vez com as maiúsculas e tomar o controle do mundo das letras.
posso estar exagerando, como exageram os apaixonados.
mas é que ando em idílio com as minúsculas.

postado por: ANDRÉ GONÇALVES 1:13 PM



Quarta-feira, Fevereiro 04, 2004

Comments: HILDA HIST, PORQUE ELA MERECE...

"...e tudo é tão redondo e completo na hora da morte, pois aí sim é que estás completamente acabado, inteirinho tu mesmo, nítido nítido, preciso, exato como um magnífico teorema..."

postado por: ANDRÉ GONÇALVES 12:03 PM



Comments: ADEUS, HILDA...

Não me procures ali
Onde os vivos visitam
Os chamados mortos.
Procura-me
Dentro das grandes águas
Nas praças
Num fogo coração
Entre cavalos, cães,
Nos arrozais, no arroio
Ou junto aos pássaros
Ou espelhada
Num outro alguém,
Subindo um duro caminho
Pedra, semente, sal
Passos da vida. Procura-me ali.
Viva.

Hilda Hist

postado por: ANDRÉ GONÇALVES 11:51 AM



Terça-feira, Fevereiro 03, 2004

Comments: BUM!

Era um amor que começou pequenininho.
Depois foi crescendo, crescendo, crescendo...
Acabou que ficou um amor tão grande, tão grande, mas tão grande, que explodiu.
E eles ficaram ali, olhando um para o outro, com os restos do amor no chão.
E cada um foi para um lado, soprando os pedacinhos que sobraram para ver se nascia, pelo menos, um amorzinho novo.

postado por: ANDRÉ GONÇALVES 12:04 PM



Segunda-feira, Fevereiro 02, 2004

Comments:
O MISTÉRIO DO HOMEM ENCONTRADO MORTO COM UM VAZIO NO LUGAR DO PEITO

Morto. Olhos esbugalhados. Sangue no canto direito da boca. Abertura de 27 centímetros na caixa torácica. Um vazio do tamanho de um punho fechado no lado esquerdo do peito.
Sobre a mesa de fórmica branca:
- um pirex pequeno ocupado pela metade por molho à bolonhesa;
- cinzas do que parecia um bilhete escrito com letra de professora de primário;
- uma garrafa de uísque vazia;
- uma garrafa plástica de água, vazia;
- um jornal aberto na coluna social, onde se vê um casamento e um casal sorridente segurando taças de champanhe com os braços entrelaçados;
- dois maços de cigarro amassados;
- um isqueiro lilás transparente quase sem gás;
- trinta e uma baganas de cigarro: vinte e duas dentro de um cinzeiro de porcelana com propaganda de transportadora e nove espalhadas pela mesa;
- uma faca de pão suja de sangue;
- uma pequena poça de água salgada;
- um prato vazio com restos de carne e molho à bolonhesa;
- um garfo com um dos dentes torto para a direita;
- uma foto rasgada ao meio onde se percebe metade do rosto de uma mulher;
- um copo quebrado;
- migalhas de pão francês;
- doze moscas mortas;
- 231 formigas em adiantado estado de decomposição.

postado por: ANDRÉ GONÇALVES 7:27 PM



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