Era Vidro e Se Quebrou...
Terça-feira, Junho 29, 2004
Comments: MINI-CONTO
Era uma vez duas certezas que se encontraram, se olharam, se gostaram, se apaixonaram, se amaram, fizeram amor, casaram, sorriram, fizeram amor de novo, se olharam de novo e, quando viram, tinham parido uma lágrima. E lágrimas paridas assim, sem nenhum planejamento, crescem e se transformam em magras e desdentadas dores, sempre jogadas pelos cantos e comendo mingau para aliviar a úlcera.
postado por: ANDRÉ GONÇALVES 1:41 AM
Comments: DO MEDO DO (a)MAR
Não, não tenho medo de nada. Não tenho medo do escuro, não tenho medo da fome, não tenho medo da miséria. Não, não tenho medo. Nem do ontem, nem do amanhã. Muito menos do hoje. Sou um ser absolutamente sem medos. Não tenho medo de barata, nem de político safado, nem de mentira, nem de calúnia, injúria ou difamação. Não tenho medo de falar errado, nem de falar em público. Nem de falar errado em público. Sou um ser sem medo algum de coisa nenhuma. Não tenho medo de bomba atômica, nem de pular de pára-quedas. Não tenho medo de assalto, não tenho medo de câncer, muito menos de aids, já que não tenho medo de usar camisinha porque não tenho medo de não sentir prazer, e é porque não tenho medo de descobrir prazer até no que eu (se tivesse algum medo, evidentemente), poderia ter medo. Sou um ser completa e estranhamente sem medos. Não, não tenho medo nenhum de quebrar a perna, de perder o bilhete premiado da megasena acumulada, muito menos tenho medo de sofrer derrame, infarto do miocárdio, traumatismo craniano ou crise depressiva aguda. Medo eu não sei o que é. Não tenho. Nenhum pingo de medo algum. Sou tão sem medo, mas tão sem medo, que não tenho medo de asa-delta, nem de ser enterrado vivo, nem de perder um braço, uma perna ou um olho. Nem de perder o pinto. Tem homem que morre de medo de perder o pinto, porque tem medo de que, sem o pinto, não seja mais homem. Eu não tenho esses medos. Não sei o que é isso. Medo. Palavra estranha, grafada com quatro letras, como são quatro os cavaleiros do apocalipse. São quatro, mesmo, ou são seis? Quatro, seis, doze... Não importa, talvez seja ridícula essa comparação, mas nem do ridículo eu tenho medo. Eu não tenho medo de nada. Nem de inflação, nem de hiperinflação, de deflação, de infecção, de perturbação. Não tenho medo de nenhuma convicção ou imperfeição, nem de nenhuma participação em algo que seja obscuro, inseguro ou que permita que me chamem de obtuso. Sou um homem sem medos, consequentemente sem pavores. Obviamente, sem pânicos. Nada. Nada me tira do sério. Nada... Hã? Você... Está... Chorando? Porquê? Hein? É alguma coisa comigo? É? Diz pra mim... Você está me assustando... Por favor, fala... Não, não é medo... É assim... Uma sensação estranha... Olha pra mim... Não chora... Está certo que seus olhos ficam lindos assim, com cheiro de mar... Mas pare, por favor, porque de repente esse mar dentro dos seus olhos te leva lá pra longe, pra dobra do mundo... E quem sabe, mesmo, o que haverá por lá?
postado por: ANDRÉ GONÇALVES 1:22 AM
Quinta-feira, Junho 24, 2004
Comments: CLASSIFICADO
Vende-se, urgente, grande coleção de medos, em ótimo estado. Único dono, que vem colecionando todos eles desde bem pequeno. Pequeno defeito no altímetro da acrofobia. Acompanha um mata-baratas pela metade, um grito um tantinho rouco pelo uso, duas garrafas de álcool, cinco gotas de frio na espinha e dois frascos de pânico. Aceita-se troca por bilhetes de montanha-russa não utilizados ou sorrisos que causem taquicardia, desde que em quantidades insuficientes para que se sinta alguma dor. Motivo: mudança. Tratar diretamente com o proprietário (mas somente em lugares abertos, por ele ser claustrofóbico).
postado por: ANDRÉ GONÇALVES 9:29 PM
Comments: DOIS HAMBURGUERS, ALFACE, QUEIJO, MOLHO ESPECIAL ETC ETC ETC ETC...
Os naturebas, os anti-americanos e os frescos que me perdoem...
Mas tem coisas que só uma Mc Oferta número um faz por você.
postado por: ANDRÉ GONÇALVES 9:13 PM
Comments: Como está se tornando praxe nessa nova fase do meu blog, vou avisando que hoje tem post.
Mas só de noite.
O layout novo tava pronto, mas não gostei.
Tamos refazendo.
Espero sua volta mais tarde.
postado por: ANDRÉ GONÇALVES 1:49 PM
Sábado, Junho 19, 2004
Comments: DE NOVO, PONHANDO UM RECADO NA PORTA
Não sei se vai ter post aqui nesse blog hoje.
Mas
nesse tem.
Se puder, dê lá uma olhada na minha
Farinhada da semana.
postado por: ANDRÉ GONÇALVES 9:17 AM
Quinta-feira, Junho 17, 2004
Comments: Anjo VII
Sangue de anjo é cor-de-rosa. E tem gosto de Quick de morango. Xixi de anjo tem gosto de guaraná. Mas anjos não gostam de escatologia. Portanto, paremos por aqui. Anjos, depois de chorar de medo em meio a tempestades, olham o sol e sorriem com as duas mãozinhas sobre a boca e com Vênus nos olhos: chegou a hora das fadas voltarem! E lá vem elas, vestidas de arco-íris e derramando sobre o mundo seus sorrisos quadradinhos! Anjos são um pouco bobos, porque os puros vêem em tudo motivo para um sorriso. E lá está o nosso anjo tocando harpa para sua musa, sorrindo e chorando e salpicando as nuvens com bolinhas vermelhas. São as lágrimas de paixão virando jujubas. E são tantas, e tão rubras, que o sol, trilhões de anos experiente nesses assuntos, veste sua roupa de festa, saca do paletó um pincel e tinge o mundo de lilás. Lilás combina com anjos.
postado por: ANDRÉ GONÇALVES 8:15 PM
Comments: Pequeno Dicionário das Relações Amorosas (à moda Cambalhotina)
Filho(a): 1. raspas de coração
2. felicidade que suja fraldas;
3. tubo extremamente barulhento em uma extremidade e absolutamente irresponsável em outra;
4. paz banguela;
5. big-bang dentro do peito;
6.motivo da existência de calendários;
7. principal causa da acrofobia;
8. material orgânico usado para derreter granito;
9.ausência de bolinhas amarelas;
10. sinônimo de amanhã;
11. nome dado à barriga de espécimes femininos em estado interessante;
12. indivíduo devorador de bolotas vermelhas doces presas a palitos;
13. animaizinhos que nunca crescem;
14. antônimo de suicídio;
15. abobalhador de adultos;
16. ser gerado originalmente em laboratório por fábricas de filmes fotográficos;
17. o outro nome da insônia;
18. efeito colateral do amor;
19. comprovação científica da existência de Deus.
postado por: ANDRÉ GONÇALVES 7:53 PM
Comments: PONHANDO UM RECADO NA PORTA
Hoje tem post. E vão ser logo dois.
Mas volta mais tarde, que não é agora.
postado por: ANDRÉ GONÇALVES 9:29 AM
Sexta-feira, Junho 11, 2004
Comments: MAIS UMA DO AMOR
- Amor?
- Oi...
- Beija meu umbigo?
- O umbigo?
- É.
- Porquê?
- É que de repente me deu uma vontade tão grande de esquecer do mundo...
postado por: ANDRÉ GONÇALVES 6:57 PM
Quinta-feira, Junho 10, 2004
Comments: PROCURA-SE
Procuraram, procuraram, procuraram... Por toda parte... Por muitos dias... Debaixo da cama. No armário. Na geladeira. Na lixeira do banheiro. Arrancaram a pia da cozinha e procuraram na tubulação. Nas gavetas. Na despensa. Entre as facas. Na caixa de fotografias antigas. Entre as roupas. Na gaveta de cuecas. No meio dos sapatos. Nos bolsos das calças. Dentro dos livros de receitas. Nas cartas. Na pasta de contas. No elevador. Na garagem. No porta-luvas. Debaixo do carro. No porta-malas. Nas ruas do bairro. Colocaram anúncio de procura-se no jornal. Deu notícia na tv. Nenhum sinal. Nada. Única pista, dada pelo zelador do prédio onde moravam:
- Seu Zé, o senhor viu um amor perdido por aí?
- Como ele era, dona Melissa?
- Bonito, perfumado e vestido de azul...
- Vi, sim, dona Melissa... Vi quando saiu do elevador, chorando, entrou correndo num taxi e foi simbora, pro rumo da Lagoa.
postado por: ANDRÉ GONÇALVES 9:05 AM
Terça-feira, Junho 08, 2004
Comments: MINI-CONTO ONDE NORBERTO COLIBRI DEFINE COM SUA VISÃO PARTICULARMENTE PESSIMISTA O QUE É "SAUDADE"
- É o nada.
postado por: ANDRÉ GONÇALVES 8:16 AM
Sábado, Junho 05, 2004
Comments: PRA COMPENSAR A RUINDADE DO POST AÍ DE BAIXO...
sossegue coração
ainda não é agora
a confusão prossegue
sonhos afora
calma calma
logo mais a gente goza
perto do osso
a carne é mais gostosa
(Paulo Leminski)
postado por: ANDRÉ GONÇALVES 2:50 PM
Comments: POEMETO BOBO, MAS SINCERO
às vezes, penso
que um relógio não deveria ter ponteiros;
deveria ter pernas.
quem sabe o tempo andasse mais depressa.
mas, às vezes, penso
que um relógio não deve mesmo ter pernas;
deveria ser réptil!
quem sabe se arrastasse com menos pressa.
no final das contas, penso
que o tempo deveria mesmo é ser menos egoísta
e deixar de pensar só em si mesmo.
porque tem horas que ele tem certeza que é o coelho de alice e,
em outras, o danado cisma que é caymmi.
postado por: ANDRÉ GONÇALVES 2:47 PM
Quinta-feira, Junho 03, 2004
Comments: Anjo VI
Dois centímetros cúbicos de nuvem. Duas lágrimas de criança: uma derramada em dia de aniversário, outra no medo do trovão. Três colheres de açúcar. Uma pitada de três dedos de pó de ouro. Duas gotas de lilás. Um miligrama de cauda de cometa. Pronto. Diz-se que essa é a receita básica para se criar um anjo. Dizem que muitos tentaram criá-los a partir daí. Não conseguiram pela falta do sopro. O sopro d'Ele. E Ele, depois do sopro, põe tudo dentro das mãos em concha, e joga para o alto. Dois dias depois eles aparecem. Prontinhos. Sentadinhos em flocos de algodão doce. Sorrindo banguelas e chupando o polegar, mania que acaba quando nascem as asinhas, três séculos depois, na adolescência. Fase na qual está o nosso anjo, que tropeça nas estrelas e se esborracha em nuvens mais pesadas que o ar. E que grita: - Merda! - enquanto levanta, sacode as gotículas e dá a volta por cima.
postado por: ANDRÉ GONÇALVES 8:16 PM
Comments: Vem aí o novo layout. Aguardemmmmmmmmmmmmm...
postado por: ANDRÉ GONÇALVES 3:39 PM
Comments: PONHANDO UM RECADO NA PORTA
Hoje tem post novo.
Só que é mais tarde.
postado por: ANDRÉ GONÇALVES 8:27 AM